segunda-feira, 23 de março de 2009

Não corte o Pão, Reparta(Fermentos Naturais)


No Domingo passado(ontem), realizei o hábito venerado, amado de milhões de pessoas aqui em SP(incluindo eu, a aculturada do nordeste): Ir a uma boa padaria e tomar um café da manhã de Domingo pleno, um bestiário de diferentes pãe, manteigas, geléias, requijões e frios, sucos, cafés...
Feliz, aguardando meu bom desjejum, olhava os pães bonitos, dourados todos arrumadinhos descansando em cestinhas forradas com panos brancos. Ele, o pão, seja o francês, o italiano, de forma, integral(meus preferidos, principalmente com frutas e nozes, só perde para o singelo francês), é o protagonista dessa cena.
Ao comer, me surpreendi. Onde estava aquela explosão de sabor dos pães que eu tanto adorava? Leve, crocante, saborosa, simples... com um gole de café preto era perfeito, atávico... Estava eu com a boca amarga? Seria aquela padaria? Procurei tomar água a fim de limpar a boca. E nada. Os pães estavam de fato, ruins.

Ao voltar frustrada para casa, cheguei a minha resposta. Era a minha boca, realmente, mas ela não estava amarga, estava perfeitamente bem, nas mais perfeita "cntp". Explico meu momento de epifania verdadeiro: Pois, como boa seguidora da minha carreira, procuro ouvir, experimentar, provar, madurar as idéias, provar novamente, madurar... E ando poraí provando muita coisa. Mas um hábito que se tornou novo a mim foi o de comer pães confeccionados com fermentos naturais, já que meu local de trabalho não permite nada que venha "de fora", tudo é fabricado lá, salvo alguns insumos de fabricação impraticável, como água de laranjeira, corantes, algumas essências necessárias(apesar de não concordar com a existência delas lá, mas enfim, pensando como comerciante, elas são necessárias certas vezes). Lá, o pão que tenho o hábito de beliscar todos os dias é feito com fermento natural, generosamente distribuído pelo responsável, o padeiro(um salve a ele, Christian Melshe... um nome alemão que não faço idéia de como se soletra!!) Da primeira vez que experimentei, achei uma sutil diferença, agradabilíssimo, era relamente muito melhor que os pãos comumente comprados em padarias. E fiz disso meu hábito: Jantar minhas saladas - teste, pão fresco e algumas vezes peixe(já que o lugar não oferece carne nem frango).

Pão, salada e peixe, pão salada e peixe, todos os dias, pão, salada e peixe.

Achando pouco, sequestrava(e sequestro) um ou dois pãezinhos para meu café da manhã do dia seguinte.
C.q.d.: Acostumei meu paladar ao que é bom. E o amargo que senti nos pãos da padaria foi o gosto residual de fermentos fabricados e do melhorador para pães, usado para conservar, suavizar, uniformizar a massa... Enfim, corrigir todos os defeitos característicos de uma fermentação de massa do pão feita "nas coxas", na pressa resulta. Principalmente para atender a uma demanda muito grande. Elas ajudam... Que se há de fazer. Mas repito... o pão perde uma de suas melhores qualidades: identidade.
Pão é vida, relamente. Fermentos naturais são vivos, tem feições, características únicas. O pão precisa de tempo, de calor certo, de umidade. Não se pode apressar alguém a crescer, não é mesmo? Ao menos não se deve, que resultado sai sempre com algo meio torto.

Com o tempo e com a sociedade do jeito que anda, começamos a consumir porcarias que nem percebemos, e ainda!(absurdo!) ...ainda evocamos um sonoro "huuuummmmmm", ao comer. Lamento informar, mas aquele gosto que não se sente, a não ser em sua ausência, é de químicos, entre fermentos, melhoradores e conservantes.

A ignorância é mesmo uma bênção até neste caso. Agora eu, pobre coitada, cozinheira que sou, não como mais aquele pãozinho de padaria. Prefiro comer uma vez por mês um bom pão a comer todos os dias um pão porcaria. Sim, porque ser natural, sem agrotóxicos, saudável agora é chique, está na moda e consequentemente é caríssimo(tiro as calças e piso em cima de raiva, que não creio!), virou coisa de gente abastada. A não ser nas cidadezinhas de interior da itália, Grécia, Espanha, talvez em algum recanto daqui mesmo, onde se come bem, mas bem de verdade, apesar de simples, come-se em qualidade nutricional e de sabor, sem os(des)saborisantes e (des)flavorisantes, completamente descaracterizantes.
Esse fato ainda se faz verdade em todos os outros pontos, café, pão, macarrão, pizza... O paladar se afia com o tempo. Não sei se é bom ou ruim. A mim é estritamente necessário perceber a safra, o ano da colheita do trigo usado na massa da quiche lorraine(risos!) talvez eu devesse ter continuado meu curso de biologia e seguir gostando de Mc Donalds e de Pizza da Sadia - ...embora eu nunca tenha gostado... Cunho meramente ilustrativo).

Para quem gosta da arte: MESTREPADEIRO@YAHOOGRUPOS.COM.BR
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